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PECATORE : O PECADO MORA AO LADO EM BELO HORIZONTE.LITERALMENTE...

Pecatore: o pecado mora ao lado. Literalmente
Depois do sucesso da Salumeria Central, Massimo Bataglini e seus sócios abriram o Pecatore para revolucionar a cidade. É uma proposta diferente de tudo que existe em Belo Horizonte. É inovador: uma peixaria contemporânea e chique, em que você pode escolher seu peixe no balcão gelado ou na mesa e depois comê-lo, fresquinho. Apesar do pouco tempo de vida e de vários escorregões, a banca de peixes traz uma comida muito gostosa e tem um potencial enorme.
A casa inaugurada há pouco mais de um mês fica na rua Sapucaí ao lado da Salumeria, com a incrível vista do viaduto de Santa Tereza e do centro da cidade. Linda de dia, no almoço de domingo ou nas noites já super badaladas.
São vários os detalhes que chamam a atenção dos olhos. A discreta placa na porta não traz o nome do restaurante, mas apenas a logomarca, uma mistura de âncora com o T da palavra pecatore. 
O ambiente é claro, com um feeling marítimo, bem branco, clean, mas muito charmoso. É tudo despojado, interessante, como as cadeiras, que são de vários tipos, parecendo resgatadas de uma escola antiga ou de um posto de saúde.
Assim como na casa vizinha, algumas instalações de vídeo-arte tomam conta do salão. À noite, então, o ambiente escurinho fica lindo. 
Na frente da cozinha, três tanques exibem um vídeo que mostra um homem e uma mulher nadando nus de um lado para outro. À distância, você realmente poderia achar que tem alguém nadando ali dentro.
Até o banheiro é enfeitado com a projeção de um aquário na porta, haja criatividade! 
E como o lugar funciona como peixaria de verdade além de restaurante, os frutos do mar enfeitam o frigorífero cheio de gelo raspado como se fossem obras de arte. Assim não tem jeito de duvidar do frescor. Você pode olhar cada detalhe, as guelras, os olhos que devem estar brilhantes, a textura dos bichinhos. Tudo depende do que está disponível no dia e na temporada. No primeiro dia em que fomos, tinha lagosta, cavaquinhas maravilhosas e camarões.
Já na outra visita, vimos polvos e até arraias incríveis, além dos peixes mais básicos, como esses lindões.
Para escrever este texto da maneira mais correta possível, sendo justa com o restaurante e com os leitores, fiz duas visitas em duas semanas, tentando provar uma variedade boa de pratos diferentes e testando o serviço. Os garçons, que anotam todos os pedidos num Ipod, ainda não estão 100%, mas já melhoraram bastante na segunda visita. A moça que nos atendeu, muito simpática, aliás, além do uniforme, usava o logo da casa em uma tatuagem temporária, como uma marinheira, não é legal?
Logo que sentamos fomos recebidos com um agrado, legumes com um molho de iogurte com ervas. Nada demais, mas ajuda a distrair o estômago e a apresentação nesse potinho com gelo é simpática. O molho não chegava a ser um tzatziki grego, mas estava gostosinho. Estranhamente, na segunda visita ele parecia aguado e sem sal.
Para beber, pedimos caipisaquês de morango com tomilho. Muito boas, mas pena que o tomilho não era amassado com um pilão ou coisa assim, pois apenas salpicado ele quase não soltou seu sabor no drinque. Tomei também uma de limão capeta com mel, minha preferida, e vejam que cor linda.
Agora comecemos pela entrada fria: o trio de tartar. Servidos em uma travessa enorme, até exagerada, foram o melhor da noite. Faltava sal, mas nada que os deselegantes pacotinhos de sal que pedi (e infelizmente usei a noite toda) não resolvessem. O de atum levava creme de manga e abacate. O de salmão levava beterraba, uma combinação estranhamente gostosa, até pra mim que não gosto tanto do peixe. Mas a estrela foi o tartar de peixe branco, que acertava ao misturar o peixe com pedaços de morango e sal natural com carvão, que por um momento achei ser uma espécie de bacon em pó, pois reconheci um sabor de fumaça. Criativo, bem feito e saboroso.
Acompanhavam uns chips de mandioca (ou banana da terra?) bem neutros, mas desnecessários. Necessária mesmo era a colher que não colocaram na mesa, mas nos viramos com o garfo mesmo.
Já o ceviche que comemos, só pude lamentar, nem merece foto. Não que não fosse bonito. Mas quase não havia leche de tigrepara temperar. O leite de tigre é o caldo do ceviche, ou seja, o  mais importante do prato, o limão que marina o peixe e basicamente cozinha sua carne crua. Quando bem feito, toma-se de colher, ou vem num copo separado para você tomar.  Ainda por cima, percebi que no pouco que veio estava misturado um tanto de azeite ou outro óleo, que não permitia mesmo que o limão penetrasse no namorado, o pescado do dia. Também faltava sal, coentro e pimenta. Era só peixe e cebola roxa. Mas sigamos pelas entradas quentes: os cones de empanados. Comemos o de iscas de peixe frito, feito com vermelho, cortado em pedaços de tamanho ideal para comer com a mão, nem grandes, nem minúsculos, bem temperadinhos e macios. 
A massa que eles empanam aqui tem algum segredo, mas não descobri o pulo do gato ainda. Quando chegaram as lulas, meu pai até pensou que era algum tipo de biscoito de polvilho, tão lindas que elas estavam (mesmo que a foto não faça jus). A massa é fina, delicada e salgadinha. Algo me diz que talvez seja de polvilho, maisena ou farinha tipo 00... Nos dois casos, acompanhava uma maionese de abacate muito suave, que poderia ter bem mais gosto da fruta.
Como prato principal, comemos a cioba feita na chapa.Os frutos do mar são sempre levados para você na mesa, ainda gelados, e depois pesados antes de ir para a cozinha.
A ideia aqui é ser o mais purista possível e a conclusão geral é que o chef italiano está exagerando nesse conceito. Mas ainda assim o peixe estava muito gostoso, simples, fresco e foi só jogar mais um salzinho e limão que ficou supimpa. E ele estava com uma cara ótima, é inegável! 
E como na noite em que fomos não havia lagosta nem cavaquinha, pedimos lagostins. Vários. Partidos ao meio para o tempero penetrar ao máximo, ficaram salgadinhos e gostosos. A carne delicada, no meu ponto de vista muito melhor que qualquer camarão gigante, estava  tenra e macia.
São poucas as opções de acompanhamentos, mas todos que provamos agradaram. As batatas assadas são rústicas e simples, bem temperadas e macias. Provamos também o espinafre com limão, e estranhei um pouco o exagero do cítrico, já que estou mais acostumada com a verdura simplesmente passada na manteiga, mas estava bom ainda assim. Mas o melhor de tudo era risoto pomodoro, com burrata, azeitonas portuguesas e pomodorini pelati. Ainda, com todos os pratos vêm à mesa em dois pequenos ramequins uma farofinha com bacon e abacaxi saborosa, sem exagero do defumado e pedaços de tamanho médio da fruta; além de um ratatouille gostosinho, mas que parece mais uma caponata já que os legumes são cortados bem pequeninos.
O maior deslize da peixaria foi, sem dúvida nenhuma, a merluza negra. O prato mais caro do menu (15 reais cada 100g)  parece não ter ganhado uma só grama de sal ou outro tempero e sua textura era... Estranha, mole. Sorte que comemos tantas outras coisas gostosas! O Pecatore só tem uma única opção de sobremesa até então, mas essa é uma delícia. O corneto é uma espécie de tuile de açúcar caramelado, recheado de mousse de doce de leite e com uma calda de frutas vermelhas. Leve e suave, pra tudo terminar bem.
A conta fica em uma média de 80 reais por pessoa, comendo com muita fartura e bebendo drinques, refrigerante e água. Justíssimo pra comer frutos do mar fresco em plena Belo Horizonte. Refletindo um pouco, apesar de todos os deslizes, o Pecarore é um restaurante muito empolgante, justamente por trazer algo diferente. Falta tempero ainda. Nada que o querido Massimo Bataglini não possa resolver, pedindo para seu chef fazer um estágio na Bahia. Aguardemos.
Pecatore – Banca de PeixeRua Sapucaí, 535, FlorestaBelo Horizonte/MGFone: (31) 2552-1450Aceita todos os cartões
Fone:http://www.destemperados.com.br/experiencias/pecatore-o-pecado-mora-ao-lado-literalmente

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